“Ontem eu chorei. Chorei porque cada vez que
convivo com as pessoas, mas eu quero me isolar delas. Porque o mundo
anda tão perdido, tão perdido, que nem eu tenho o encontrado. Porque
todos os meus romances tem data de validade, e nunca passaram de 4
meses. Chorei porque eu precisava do colo da minha mãe para poder me
sentir um pouco mais criança, já que ser adulta requer muita
responsabilidade, e eu não estava preparada para isso. Porque o
fulaninho da novela traiu a sicraninha, e eles eram meu casal preferido.
Porque eu odeio profundamente me sentir a pior pessoa do mundo e mesmo
assim ouvir o som de Oasis para me sentir mais mulher, mais viva, mais
verdadeira. Chorei porque precisava chorar, precisava desabafar,
precisava me esvaziar de todas as coisas ruins que havia me acumulado.
Chorei porque você foi embora e nem avisou que ia embora. Caramba, você
sempre avisa, você sempre diz um “Vou sumir da sua vida” ou até mesmo um “Adeus”
meio melodramático só para causar um friozinho na minha barriga, só que
no fim dia você sempre voltava. E dessa vez você não disse nada, apenas
se foi. Ai eu chorei. De puro medo. Chorei porque eu sempre odeio tudo,
eu sempre me isolo de tudo, eu sempre encontrei solidão em tudo, só
para eu não me sentir tão frágil quanto aparento ser. Chorei porque o
choro foi a única coisa que me restou. Chorei tanto, mas tanto, que por
pouco entrei em um dilúvio e me afoguei, porque a realidade era dura
demais comigo, e eu já não tinha mais armas para poder enfrentá-la. Foi
por isso eu chorei.”
— Thiara Macedo
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